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Desabafo 1

Mariana Boccara de Paula
17/04/2020

Eu pensava que escrever estava ligado a ser culta, ter lido vários livros e saber fazer referências e citações inteligentes. Eu sempre me encantei pela combinação entra foto e frase, expressar um sentimento através de uma foto e juntar palavras que conseguissem expressar aquilo tudo. Eu sempre precisei me expressar, eu não sei até hoje, sinceramente, se isso é bom ou ruim. 


Já me expressei de formas completamente loucas e equivocadas. Já magoei muita gente com as coisas que eu disse. Já pareci ser louca e criei histórias que só existiam na minha cabeça na vontade de fazer o outro perceber algo que eu precisava dizer e não conseguia. Talvez a minha escrita não tenha nenhuma coerência mas ela faz todo sentido na minha cabeça. Eu tenho uma mente completamente acelerada, ela processa 50 milhões de informações ao mesmo tempo, vai do passado ao futuro num instante, da volta e faz um laço no presente e abre 450 documentos do word tentando escrever sobre assuntos diversos.
As vezes sinto que existe uma máquina de escrever dentro de mim, as vezes ela consegue atingir o código correto e sai por ai digitando sem parar, mas na maioria das vezes ela trava por dias e dias na mesma frase. Perdi muitas ideias geniais que tive pelo caminho pelo simples fato de empacar, espero que elas tenham encontrado outro dono mais apto e rápido para trazê-las a realidade.

Sempre respirei fundo e acreditei que tudo tinha uma lógica dentro
do mundo das idéias e uma hora eu ia conseguir tagarelar sem parar
dentro desse documento word, tentando dizer algo pra você que
talvez não faca sentido nenhum. Enfim, essa sou eu, é um prazer
imensurável entrar na sua vida nesse instante e te contar que aqui
dentro dessa cabeça existe um corpo todo conectado tentado se
aprofundar nos seus próprios mistérios e magias.

Eu fui criada muito próxima a astrologia e a tarologia. Esses, foram durante toda minha vida, assuntos de mesa de jantar e cafés da tarde na minha família. Venho de uma familia egípicia misturada com italianos, e o tarot na minha casa foi passado de geração por geração. Eu sempre ouvi dizer sobre um tal retorno de Saturno,talvez você também, existem os credores e os obseletos mas eu sem sombra de dúvidas sou a encarnação viva desse retorno e vou te contar o porque.

Esses 3 anos da minha vida foram de uma sombra absoluta.Entrei em depressão, engordei, mudei de países varias vezes, mudei de trabalho, fiz novos sonhos, estive no meio de um atentado terrorista, começei e acabei relacionamentos, vi bebês nasceram, amigos casarem, entes queridos morrerem e nada desse tal Saturno obscuro passar...
(Acho que esse pode até ser um assunto para um próximo post.)

Foi ai que finalmente cheguei nos 30. Confesso que meses antes disso acontecer eu me encontrava em estado completo de choque. 
-“Mas 30 fucking anos?"Eu não sou mais aquela menininha que tem todo tempo do mundo, eu não sei pra onde foram meus sonhos, eu só tenho alguns poucos euros na conta, nenhum imobiliário no meu nome, muito menos um carro, um marido, filhos, o emprego dos sonhos, não fiz nenhum filme sendo protagonista, muito menos uma serie do Netflix ou uma novela das nove...O que fiz eu com a minha vida? Acredite, nem eu sabia.

Foi exatamente ai, nesse momento, que eu me perguntei: – “E agora Mari?
O sonho antigo ainda borbulhava dentro de mim, mas eu não me sentia boa o suficiente, eu não sabia onde estava aquela crença toda que me alimentava, onde estava aquela força que eu usei para lutar todos esses anos, aquela confiança de superar todos os não que eu recebi.

Acho que se tem alguém no mundo que já ouviu não na vida com o sorriso no rosto e em prantos por dentro essa pessoa se chama EU. Eu nem sei até que ponto existe um ego dentro de mim quando o assunto esta relacionado a rejeição. Não to aqui querendo buscar a sua pena, longe de mim, mas se eu te contar quantos pés na bunda eu levei, e quantos nãos eu escutei -“você não foi selecionado para o papel”, “eu não te amo mais”, “eu não estou preparado para uma relação”, “você não tem tanto seguidores no seu instagram então infelizmente optaram por uma youtuber famosinha. Enfim, eu acho que eu ficaria dias aqui te contando todas as minhas historias frustrantes.

Mas você é inteligente, você já sabe essa historia, todo mundo
sabe. Aquela lá, da menina/o que nunca estudou atuação, não sabe
provavelmente quem é Fernanda Montenegro, nunca viu uma peça do
Antunes, Ariane Musckin, Eugenio Barba então deve ser um velhinho
no túmulo para esse ser.Mas olha, eu não to aqui para menosprezar
a capacidade dos youtubers de se expressar e atingir seu público
com suas idéias mas por favor não troque um ator/atriz que estudou
anos e estuda diariamente por alguém que não entende nada da arte
de atuar pelo simples fato dos seus seguidores e likes.

Mas vamos deixar esse assunto pra uma próxima encarnação, foi só uma pequeno desabafo que ainda existe dentro dessa garganta, e esse muito provavelmente deveria virar um artigo chamado “Não boicote um ator de verdade” de um próximo post que eu nem sei se eu vou chegar a escrever, a verdade verdadeira é que eu não sei nem se eu vou chegar no 3 post deste blog. O medo é um troço muito doido não é mesmo? O medo é de fato um GRANDE troço de MERDA que ou ele te invade e te paralisa ou ele te impulsiona. No caso daquelas minhas brilhantes idéias que nunca saíram do papel e foram interrompidas por eu não saber nem por onde começar ou pelo simples fato de não querer parecer ridícula.Agora te pergunto: parecer ridícula para quem? Parecer ridícula porque?

Eu queria ter sido um pouco do foda-se misturado com o vai se fuder mundo mas eu só consegui cavar um buraco embaixo dos meus pés, me enfiar la e ficar da borda só observando os corajosos desenvolverem as suas ideias.Enfim, um pouco frustrada parece, imagina!Talvez esteja ou talvez até seja, vai saber.


Mas essa sou eu, Mariana, 30 anos, quase 31, filha da Angela, irmã da Tetela, pseudo atriz, pseudo Business Development de uma empresa internacional qualquer, que anda pelo mundo a procura de novas histórias e de todas as vozes que existem dentro de dela.

Mi casa es su casa meus amigos! Sejam mais que bem-vindo na nossa mesa de família. Espero que seu passaporte esteja válido, a fronteira ta aberta aqui e se eu puder dar uma dica simples: Enjoy the ride!Aqui se faz viagem de ida, mas sempre existe a possibilidade da volta, e espero que possamos te levar para uma reflexão planetária junto comigo, com ela e com todos os pseudos que existem dentro de mim, delas e de vocês.Porque no fim, somos todos uma grande gostosa bagunça.


Desabafo, parte 1, sem mais.

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SOBRE SER MÃE

Maria Angela Boccara de Paula

29/03/2020

Esse tema é bastante abordado por muitas pessoas sob diferentes aspectos, provavelmente escreva coisas repetitivas que muitos já leram ou ouviram, mas hoje foi esta temática que brotou em meu coração. Assim sigo escrevendo…., sem nenhuma pretensão de abordar todos os contextos ou chegar a conclusões.

 Ser mãe !!!!! Algo extremamente magnífico e encantador porém, muito, muito desafiador. Poder conceber, gestar, alimentar, ver crescer é uma dádiva divina no meu entender, um verdadeiro presente !!!!

Quando estamos vivendo a situação talvez não tenhamos a dimensão dessa grande possibilidade de muitos e muitos aprendizados, de sentir o desejo incalculável de proteger e a beleza desse amor que é totalmente diferente de qualquer outro tipo de amor que possamos sentir, grande oportunidade que a vida nos dá, pelo simples fato de sermos mulheres ( isso quando pensamos apenas nos aspectos anatômicos e fisiológicos do corpo feminino – há outras possibilidades de ser mãe, adoção e outros).

 São tantas as demandas de uma mulher nos tempos atuais que conciliar tantos sonhos e responsabilidades é de fato uma grande conquista, especialmente quando há filhos. E ai entra em cena todos aqueles que forma direta e/ou indireta nos ajudam a concretizar esta super “missão” terrena: o pai, importante figura que nem sempre está presente, mas quando sim, pode ser um grande colaborador na nossa trajetória como mãe, avós, quando participantes ativos são fundamentais, as nossas grandes parceiras, muitas são mães também, nossas auxiliares do lar, as escolas e os educadores, o clube, as mães de amiguinhos que nos ajudam muitas vezes, enfim uma série de pessoas  e instituições extremamente valiosos que nos acompanham neste percurso maternal. Dito isso, penso que ser mãe te dá a dimensão do quanto somos responsáveis pela manutenção da vida humana no planeta terra, o quanto precisamos estar inteiros nesse papel para nos dedicarmos a partilhar nossas vidas e sermos alicerces para  que os filhos  consigam crescer saudáveis, tanto física como emocionalmente, pessoas equilibradas, capazes de continuarem o percurso sozinhos.

Ser mãe é viver na dualidade de emoções, vez que se sabe que mesmo que nosso desejo seja ter nossos filhos ao nosso lado sempre, esse desejo não pode ser realizado na sua totalidade, nossos filhos devem seguir seus caminhos, precisam ter suas experiências, suas decepções e conquistas, e como gostaríamos que só tivessem conquistas !!!!

Muitas e muitas vezes fazemos malabarismos mil para atender as demandas dos filhos, tentamos ajuda-los, poupa-los e acabamos abrindo mão de muitas coisas e até de realizações pessoais. São escolhas que muitas vezes fazemos sem ter tanta consciência, pois nosso foco é proteger a “cria”. Sabemos que essa não é a melhor escolha, pois as decepções e derrotas precisam fazer parte do caminho para que possamos enfrenta-los quando não mais estivermos sob os cuidados da nossa mãe, dos nossos pais, mas como sofremos ao vê-los nessas situações. Precisamos aprender que nossos filhos precisam saber lidar com as dores, as perdas e as decepções para serem pessoas mais fortes e capazes. Este talvez este seja o aprendizado mais complexo para nós mães. A figura da mãe é a do refúgio, do local de segurança, de apoio e de amor total, e ai nos deparamos com nossa impotência e é preciso entender que nem sempre conseguiremos ser esta figura na totalidade.

 Os filhos crescem e mesmo que tenham seguido seus caminhos como nos preocupamos!!!Como nos dói quando não temos como auxilia-los? Como é difícil estar longe, sem poder tocá-los, como nos faz bem saber que estão bem, realizados e saudáveis.

E se estiverem felizes então, estaremos plenas !!!!! Ser mãe é simplesmente viver a multiplicidade de emoções e sentimentos. Ser mãe é ter força para enfrentar os medos e se encher de coragem para fazer o que for necessário para que seus filhos estejam bem e protegidos, é ser capaz de oferecer até o que não temos se isso contribuir para o seu bem-estar, mas também de negar, não propiciar se for necessário.

Ser mãe é viver na dualidade de amar incondicionalmente e o medo de não ser amada por eles, é dar o nosso melhor sempre, mesmo que o que tenhamos a oferecer não seja o que o filho deseja. Tenho certeza que sempre damos o nosso melhor, em qualquer condição.

 Talvez se todos entendermos que só oferecemos o que temos, talvez possamos de fato compreender que muitas vezes não temos mais o que dar. Assim, desejo que todos os filhos sejam muito gratos aos seus pais sempre, pois independe de qualquer situação, eles nos deram a vida e/ ou a oportunidade de seguirmos e fazermos mais e melhor.

            Sou muito grata pela minha vida e por ser mãe!!!!!

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SOBRE ESCOLHAS

Maria Angela Boccara de Paula

21/03/2020

Nestes tempos de tantas incertezas paro para refletir sobre as escolhas no processo de viver.

No dicionário encontramos algumas definições para esta palavra como: manifestar preferência, fazer opção entre, selecionar, separar o bom do ruim; aproveitar (aquilo) que apresenta maior qualidade, marcar, assinalar.

E como somos preparados para fazer escolhas?

O que te influencia?  O que determina sua escolha?

Será que você tem clareza da opção que faz ou fez?

São tantos questionamentos, elementos, situações, atores que permeiam esse processo de escolher.

E fazemos isso todos os dias, muitas e muitas vezes e nem percebemos que estamos escolhendo, selecionando, determinando entre isso ou aquilo, marcando espaços, tempos e pessoas.

Parar para refletir sobre esse tema é importante!!!!! Poder parar e rever tudo que escolhemos na nossa caminhada é sensacional, nos permite olhar para trás, para a frente e para dentro.  Fazemos tão pouco isso!!!!!

Acho que o universo nos presenteia com essa possibilidade de mais uma vez escolhermos. Estamos com tempo disponível e não sabemos muitas vezes o que fazer com ele. Aprendemos que temos que produzir, produzir e produzir, gerar resultados que muitas vezes nem são valorizados nem mesmo por nós. Porque é preciso produzir tanto? Estamos competindo com quem? Porque tudo tem que estar pronto rapidamente? Deve ser bom, adequado, gostoso, perfeito, porquê?

Não sei as respostas para essas perguntas, na verdade nem sei se há respostas corretas, só sei que é tempo para refletir, repensar seu caminho, seus valores, olhar para seus medos, inseguranças e acolher. Sim se acolher !!!!! 

E como é difícil se acolher, se olhar, se ver e perceber que não há nada de errado com você, que você não precisa acertar sempre, que você pode escolher diferentes caminhos, que não há o totalmente certo e nem o totalmente errado e sim que há possibilidades infinitas, que não existe só um modo de fazer, que o seu modo nem sempre vai ser adequado para todos, que por muitas vezes você precisa de tempo, de colo, de ombro amigo, que você não é e nunca será um super herói das estórias em quadrinhos, nem dos contos de fadas. Mas, você também não é totalmente indefeso, inseguro, medroso e irresponsável.

 No caminho vamos sendo preparados para essas tais escolhas!!!!!  Mas nem sempre sabemos se a aprendizagem foi adequada e se as escolhas foram as melhores para o momento vivido. Será que existem as melhores escolhas? Será que é possível ter certeza que aproveitar (aquilo) que apresenta maior qualidade ou separar o bom do ruim é factível?  Definir o que tem maior qualidade ou é bom ou ruim? Você sabe? Tem total clareza?

Eu sei que realmente não sei!!!!! A única coisa que sei é que faço sempre o meu melhor!!!! Dou aquilo que tenho para dar!!!!! Naquele momento ……

Infelizmente nem sempre o que fazemos ou damos é aquilo que outro/ sociedade espera, deseja, sonha. Os mundos e as vivências são particulares, mas também dependem do contexto em que se vive.

Assim, as relações nem sempre são as melhores, nem sempre conseguem completar ou pelo menos somar.

Expectativas são importantes, muitas vezes nos impulsionam a agir, porém com muita frequência nos frustram, o outro poucas vezes tem essas mesmas expectativas e necessidades que você e assim escolher é complexo e multifacetado. É complicado porque não pouca vezes somos capazes de entender a perspectiva do outro ou expressar o  não concordar e assim os conflitos surgem, tanto na dimensão singular, quanto na coletiva.

 Quando se faz necessário calar? Não escolher? Será que a não escolha é uma escolha? Com certeza!!!!!! Quando se decide não escolher estamos escolhendo sim e ainda deixando que o outro determine o caminho e assim, nos eximimos das responsabilidades!!!! Você acredita nisso? Infelizmente isso pode ser uma forma de se esconder, de colocar na posição de vítima, de não se responsabilizar. Quantas vezes você já fez isso? Ou fizeram com você? Já havia pensado nisso?

Talvez isso nunca tenha permeado seus pensamentos. Está claro para você que a não escolha (que também é uma escolha) faz daquele que escolhe o vilão ou o herói? Pois então escolher é tema realmente complexo, envolve muitos e muitos aspectos. Não tinha pretensão alguma de dar algum tipo de resposta, apenas gerar reflexões!!!!! Então deixo vocês a pensar sobre as escolhas do caminho neste momento de pandemia em que o isolamento social se impõe e nos permite refletir !!!!!!

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Quem Somos?

Mãe e filhas !!!!! Angela Boccara a mãe e Mariana e Maristela Boccara as filhas !!!!

Eu sou enfermeira, professora universitária há mais de 30 anos e sempre gostei de escrever desde pequena. Na adolescência gostava muito de escrever poemas, e uma das minhas formas de expressão sempre foi a escrita, por vezes tinha dificuldade de me comunicar com alguém importante da minha vida e utilizei me dessa forma de comunicação muitas e muitas vezes e ainda hoje a utilizo.

Por ser professora e pesquisadora a escrita é parte integrante também do meu trabalho. E minhas filhas ao me verem escrevendo e me comunicando muito por meio da escrita, elas também desenvolveram esta interessante habilidade.

Mariana é comunicadora e Maristela é médica, e também gostam muito de escrever. Então decidimos compartilhar nossos escritos, talvez ajudem muitas pessoas a refletir sobre temas importantes da jornada da vida e estimulem outras a também escrever.

E por que esse blog?

  • Para compartilhar idéias e opiniões !!!!
  • Contribuir para estimular que mais pessoas escrevam e também compartilhem suas ideias .

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ESCREVER UMA OPORTUNIDADE DE EXPRESSÃO SEM IGUAL !!!!

Este espaço foi pensado a partir da experiência de retomar a escrita nesses tempos de quarentena devido a pandemia do COVID 19 e de repente me vi com vários textos prontos e algumas pessoas que leram acharam que deveria compartilha-los !!!! E minhas filhas também, sendo que uma delas teve a idéia do blog ser um espaço em que ambas poderiam também compartilhar seus escritos, já que filho de peixe peixinho é.

Assim, nasce escritos de mãe e filha de forma leve e totalmente despretensiosa, escreveremos sobre temas relacionados ao nosso dia, questões que nos inquietam, mobilizam outras que podem nos paralisar. Um momento de refexão em que esperamos compartlhar com vocês um pouco das nossas ideias e percepções do mundo, do ser humano e da vida.

A ideia é também estimular cada pessoa que entre em contato com nossos escritos a não apenas ler um texto, mas a pensar e repensar a cerca do tema em questão e porque não também desenvolver sua escrita.

Aqui segue o texto introdutório para que você possa conhecer um pouco sobre esta que deu início ao ato de retomar a escrita.

SOBRE ESCREVER

Maria Angela Boccara de Paula

03/04/2020

            Escrever para mim é uma oportunidade única de traduzir em palavras o que sinto, penso, mas principalmente o que acredito.

Acho que isso começou desde cedo, muito provavelmente porque tive ótimos professores de redação e literatura, fui estimulada em casa e na escola a ler bastante. E na adolescência escrever meus poemas era minha forma de dizer ao mundo o que sentia, mesmo que poucas pessoas conhecessem minhas poesias. Parei por muito tempo depois que me casei e tive filhos. Acho que parei de forma relativa, pois como fiz mestrado e doutorado, me dediquei aos escritos acadêmicos. Agora nesta fase da vida com mais de 50 anos, separada e vivendo esse período de quarentena devido a pandemia do coronavírus, me deparei com a vontade de retomar meus escritos.

Escrever tem sido um refúgio e uma manifestação da liberdade interior. Escrever sobre coisas do cotidiano, que me fazem pensar sobre diferentes questões atuais ou não, mas que me compõem é sensacional. Expressar sentimentos e opiniões é um dos maiores segredos para manutenção do equilíbrio psíquico, assim como a pintura, a dança dentre tantas outras possibilidades.

No eu caso escrever é como traduzir meu encanto pela vida de forma livre e sem as amarras da ciência. É uma grande chance de expressão que retomo com prazer neste momento de tantas angústias globais, do medo do incerto e do invisível, mas também de grande oportunidade de acessar o íntimo pessoal, de olhar para o seu centro, se perceber e dentro de suas possibilidades manifestar tudo aquilo que faz sentido, que te envolve, te mobiliza e gera emoção.

Escrever tem sido um momento de compor e narrar, buscando informações em determinados lugares da memória pouco acessados, de forma a traduzi-las em palavras, frases correlatas que façam sentido e gerem ideias e reflexões. Sim, reflexões, é isso que desejo alcançar, que as pessoas reflitam sobre temas da vida diária, que na verdade são GRANDES temas, que permeiam nossa existência e nossos anseios.

Esses dias ouvindo uma entrevista de um roteirista amigo uma frase me sou tão profundamente: Escrever pode salvar vidas!!!!! Fiquei encantada e corroboro com esta frase, é possível salvar vidas também pela escrita, quantas pessoas se sentem motivadas, estimuladas e encorajadas depois de lerem um livro, um ensaio ou de assistirem um filme, uma peça de teatro que foi escrita previamente. Que lindo isso nesses tempos de desânimo e de medo que vivemos. E assim, me motivo a cada dia a me dedicar a escrita de pequenos textos sobre temas diversos, me liberto e consequentemente auxilio pessoas a refletir sobre questões que talvez nunca tenham pensado muito a respeito.

E nesse movimento de busca interior e sua expressão, vou me reinventado a partir da minha história, dos meus momentos, das minhas certezas e das minhas incertezas, do meu medo e das minhas possibilidades, das minhas crenças e valores, esperando contribuir para que as pessoas se sintam mais próximas delas mesmas, sintam-se iguais, acolhidas e motivadas a seguir.

SOBRE SENSAÇÕES e REFEXÕES de HOJE

Maria Angela Boccara de Paula

19/05/2020

Entre idas e vindas, projetos, planos, realizações, sonhos, medos, rupturas, encontros e desencontros, sigo vivendo…..

 Sensações diferentes permeiam meu caminho neste período em que todo o mundo vive desafios nunca imaginados.

Notícias ruins invadem nossos televisores, celulares e computadores, e a incerteza dos dados e informações que recebemos ou aquelas que realmente não temos, nos deixam preocupados, inseguros e amedrontados, a incerteza que nos ronda é por vezes paralisante, mas do que de fato temos certeza?

Talvez somente a certeza de que tudo é incerto, mas mesmo assim continuamos a acreditar que podemos fazer com que as certezas existam, que vamos fazer planos, concretiza-los, que as coisas não mudarão e tudo será exatamente como sonhado e planejado.

A história da humanidade e a nossa história pessoal nos mostra que isso é uma ilusão, não existem certezas, nunca existiu e acho que nunca irá existir. Essa busca incessante pelo controle e pelo poder que o homem não se cansa de procurar, torna-se absurdamente desgastante e prejudicial. Impede que a vida flua em seu movimento delicado e certeiro.

Quantas e quantas vezes nos mantemos em posições indesejadas pelo medo ou até mesmo por comodidade para não sair da zona de conforto? Muitas vezes acabamos deixando a vida passar e não usufruímos das oportunidades que surgem, da saúde que a juventude propicia, do sol que brilha, do potencial que possuímos, do sonho tão desejado. A mudança pode ser maravilhosa, pode abrir portas, novas possibilidades, novos encontros e descobertas. Pode também revelar coisas que você desconhecia sobre o mundo ao seu redor ou sobre você mesmo, pode ser boa ou ruim, na verdade penso que não importa se o resultado foi ou não positivo, mas entendo a importância de como foi o processo.

Isso sim penso que é essencial, durante o processo quais foram os mecanismos utilizados para viver a mudança? São tantos os caminhos possíveis a serem seguidos, há momentos de grandes avanços e outros de retrocessos, elaborações e reelaborações constantes e recursos diversos podem ser necessários para a travessia.

Como exemplo nesta pandemia que estamos vivenciando quantos percursos você já fez? Quantas idas e vindas? Quantos questionamentos? Quantos……..

Quantas estratégias já utilizou para relaxar por exemplo? Yoga, rezar, meditação, exercícios físicos etc. Ou quantas coisas tem feito on line para não sair da sua rotina mesmo dentro de casa?  Novas formas de se relacionar com o trabalho, estudo, pessoas. O mundo virtual se tornou uma necessidade quase que vital, não é mesmo? Quantas mudanças, algumas inesperadas , outras nem tanto.

A incerteza financeira de muitos preocupa o mundo, a fome apavora, a violência doméstica ajusta, tantas questões sociais importantes se colocando de maneira mais e mais intensa nesses tempos, pedindo mudanças de paradigmas econômicos, políticos e sociais.

A pandemia gerou múltiplos movimentos, colocando o homem em postura de atenção e busca, mostrando a fragilidade e a incerteza da vida, a necessidade de reflexão, autocuidado e autoamor, mas sobretudo de mudanças na estrutura social global, exigindo criatividade, medidas efetivas e rápidas, mas sobretudo solidariedade e caridade.

É momento de agir de forma consciente e responsável, entendendo que as incertezas estão e estarão no caminho, mas é necessário seguir fazendo nosso melhor e acreditando que é possível contribuir para um mundo melhor.

E assim seguimos, vivendo……

SOBRE HISTÓRIA e AFETOS

Maria Angela Boccara de Paula

28/05/2020

Acabei de receber uma mensagem de uma amiga de longa data dizendo assim: Ao ler este texto me lembrei de você falando sobre sua mãe. Era um escrito sobre costumes de uma família italiana, repleto de sabores e significados e em uma parte estava escrito onde tem história tem afeto. Amei e decide utiliza-la neste meu momento de escrita quase que diária, desde o início da quarentena no Brasil, devido a pandemia do COVID 19.

Concordo com a ideia!!!! Vez que a história é repleta de múltiplas realidades, interpretações, pontos de vista. Cada contador de história dá sua interpretação do vivido e isso é tão bonito!!!

É uma possibilidade de resgate, de sentir emoções, rever cenas e imagens na mente, transporta-las ao coração e até sentir cheiros e sabores, nem sempre agradáveis, mas com toda certeza uma grande oportunidade de saborear a experiência, em que o afeto se faz presente, já que do ponto de vista psicológico afeto diz respeito a sentimentos ou emoções em diferentes graus de complexidade.

E como é gostoso acessar sentimentos que nos remetem a história da nossa vida, da nossa família, da nossa profissão, cidade, país. Penso ser tão fundamental dividir as histórias com as crianças, com os jovens e com quem quiser participar. Sem conhecer o percurso já realizado, muitas vezes o caminho fica mais difícil, repetimos caminhos que já foram trilhados e que talvez não tenham dado muito certo, colocamos as mãos antes dos pés, falamos coisas sem sentido, podemos até agredir pessoas e, principalmente, acabamos não nos sentindo pertencentes e, portanto, podemos não atribuir a importância ou o valor a fatos e circunstâncias extremamente valiosos, que definiram e abriram a trilha para que uma estrada mais ampla possa ser percorrida por você e pelos seus de forma mais leve e tranquila.

Ao ouvir, ler ou até ver uma imagem ou um filme sobre a história, seja ela pessoal ou contextual é um momento também de reflexão individual, que pode te fazer viajar por lugares nunca imaginados e que com certeza te possibilitará, se não entender, ao menos ter referências que contribuam para nortear suas ideias, opiniões e ações.

Mobiliza afetos de quem conta e de quem recebe essas informações de maneiras diferentes sim, com toda certeza, somos seres únicos e, portanto, com modos diversos de ver e sentir o mundo e tudo que nos cerca, mas como é maravilho ter acesso a isso.

Penso que é por isso que a arte é tão importante para a humanidade, por meio dela é possível resgatar, retratar e contar tanto. O artista traz essa história completamente repleta de afetos, transborda por meio das cores, imagens, moldes, texturas e suas diferentes combinações. No teatro, televisão e no cinema, o ator/atriz transcende os limites do concreto e incorpora personagens que nos fazem acessar dimensões íntimas, só nossas. Que bárbaro tudo isso, não é mesmo?

Te convido então a te dar um tempo para rever suas memórias e quem sabe você se anime a contar as suas histórias, seja para um amigo ou grupo de amigos, na igreja, no campo profissional e especialmente no seu núcleo familiar. Estou certa que será inspirador para muitos, outros se surpreenderão com tantas coisas que não conheciam sobre você, sua profissão, suas conquistas, acertos, erros e aventuras.

E saiba os afetos estarão presentes em abundância porque onde tem história, tem muitossssssss afetos.

SOBRE VERDADES

Maria Angela Boccara de Paula

18/04/2020

Verdade? O que é isso?

Qual é a sua? É uma só, são muitas? São sempre as mesmas?

Ontem a verdade era uma, hoje tantas coisas já mudaram de lugar não é mesmo?

Até poucos dias atrás a vida acontecia do lado de fora da sua casa, hoje talvez ela esteja mais concentrada do lado de dentro, ou você se perceba completamente sem verdades. Não sei exatamente o que acontece com você.

Sei apenas que frente a tantas mudanças na nossa rotina, nesses tempos de pandemia, algumas das minhas verdades já não sejam exatamente as mesmas de um tempo atrás.

Falar, pensar sobre verdades é dar luz as múltiplas interpretações que se fazem presentes no nosso íntimo. Verdades são momentâneas, conectadas com as diferentes maneiras de se estar no mundo. Estão diretamente relacionadas com as perspectivas através das quais é possível identificar e examinar aspectos em profundidade, na dependência da distância em que você se encontra do objeto.

Interpretações múltiplas e pluri determinadas por motivos diferentes que só ganham notoriedade e se tornam VERDADES VERDADEIRAS quando um grande número de pessoas encontra um ponto em comum em suas interpretações individuais, mas isso não invalidada outras verdades, individuais ou de um grupo menor. Assim, é tão interessante entender que VERDADES SÃO MERAS INTERPRETAÇÕES DA REALIDADE.

 Pense sobre isso, busque suas verdades, veja quantas já não são mais verdades, outras ganharam aspectos novos e se transformaram, e veja que a vida é dinâmica, transitória, nunca totalmente determinada, há sempre possibilidades, mesmo quando ínfimas de mudar, concorda?

 Claro que há momentos em que não se identifica possibilidade alguma, nos sentimos presos, limitados, amedrontados, inseguros, como nestes tempos de isolamento social que estamos vivendo, porém tendo a oportunidade também de observar que as verdades também se transformam.

Hoje sua verdade talvez seja estar sozinho, longe de seus familiares, usando a tecnologia para se conectar com mundo. Hoje sua verdade pode ser não ter rotina, não ter horário para acordar, ou ter que cuidar da casa, cozinhar, cuidar dos filhos, estudar e trabalhar tudo ao mesmo tempo ou, talvez sua verdade seja estar trabalhando nos hospitais na linha de frente do coronavírus e apesar do medo e da incerteza, estar lutando para ajudar as pessoas que estão doentes, ou ainda não acreditando nessa doença ou simplesmente não entendendo nada do que está acontecendo e até negando a situação , não sei qual é sua verdade neste momento, mas sei que ela é passageira, mutável e maleável, basta você observar com cuidado. Verdades????

Para quem? Para que? Para onde?

Verdades se fazem na experiência !!!!!

SOBRE PERSPECTIVAS

Maria Angela Boccara de Paula

15/04/2019

Foto por Mithul Varshan em Pexels.com

Estamos vivenciando um período de grande incerteza, diretamente relacionada a manutenção da vida, o isolamento social e a privação da liberdade de ir e vir, as dificuldades financeiras advindas desta situação e muitas e muitas outras questões com as quais estamos nos deparando que nos tiram da nossa famosa zona de conforto.

E assim surge o tema de hoje, perspectivas, quais são as suas neste momento? Qual é o seu modo particular de vivenciar e perceber tudo o que está acontecendo ao seu redor? Suas expectativas são exatamente as mesmas de um mês atrás?

Sob qual ângulo e com que luz a vida ganha seu olhar frente a tamanha fragilidade que se observa, com tantas dificuldades vivenciadas pelas pessoas durante uma pandemia. Algo que praticamente nenhum de nós pensou ou imaginou que seria possível ocorrer. Afinal temos tantas tecnologias já disponíveis, inclusive no campo da saúde e de repente surge uma doença infectocontagiosa que paralisa o mundo e mata muitas e muitas pessoas. E assim, temos que experienciar muitas novas situações para nos protegermos, protegermos nossa família e cuidarmos de quem necessita de atenção.

Nossas perspectivas mudam de contexto e perdemos por vezes a clareza da profundidade e das proporções que este evento representa para a humanidade. Claro que essa perspectiva se modifica conforme o espaço ocupado e o ponto de vista de cada pessoa. É muito claro que dependendo da distância que nos encontramos do evento, nossa percepção se altera e pode até ganhar contornos muito diversos e, por vezes até criar ilusões, como no desenho e na arte, que por meio da perspectiva é possível se criar a tridimensionalidade, perceptível, mas não na sua concretude.

Qual será que o aspecto que esta pandemia ressalta na nossa vida? Em que perspectiva daremos seguimento aos nossos projetos pessoais? A oportunidade de estar mais com você mesmo dará um novo formato as relações sociais? Serão necessários ajustes no nosso modo de trabalho? A tecnologia será nossa aliada ou nem tanto? Será que os detentores de dados e informações os usarão a nosso favor (humanidade) ou a favor deles próprios (interesses pessoais)?

Este momento nos traz muitas informações, muitas novas experiências que nos darão a oportunidade de estender nossa visão ao longe, o mais longe possível, de forma prospectiva, de forma que seja possível avaliar e reavaliar nossos projetos e o que de fato importa para você.

Assim, deixo esse questionamento, qual é a sua perspectiva de vida a partir de agora? O que você almeja para curto prazo? Como acha possível concretizar seus planos? E se não for possível, como seguir? Por favor não vamos nos intimidar e bloquear novas oportunidades, somos muito adaptáveis, há muitas possibilidades e diferentes perspectivas. Vamos seguir com determinação e muito comprometimento com você mesmo.

SOBRE PERTENCER

Maria Angela Boccara de Paula

01/05/2020

Neste dia em que se comemora o dia do trabalho, em meio a uma pandemia nunca imaginada, com fechamento de estabelecimentos comercias, aeroportos, países, enfim estado de calamidade pública decretado e isolamento social, sendo uma estratégia muito importante para diminuir a propagação do vírus e a superlotação das instituições de saúde, o tema que motiva é o pertencer.

Pertencer diz respeito a fazer parte, ter relação com algo, alguém, algum lugar, tempo, espaço. Cada um nós pertence a um determinado conjunto, como a família, o grupo de amigos, o clube, a igreja,o trabalho.

 Ao fazer parte usufruímos de tudo o que diz respeito àquele conjunto, tanto as coisas positivas, negativas ou neutras.  Compor um grupo, uma equipe significa que nos comprometemos e nos co-responsabilizamos por tudo que acontece ali, mesmo quando algo parece não nos dizer respeito ou quando pensamos que não tivemos nenhum envolvimento com uma determinada situação. Como assim, muitos iram perguntar, eu não opinei, não fiz nenhum movimento, apenas me mantive no meu lugar. Pois é, esse não fazer com toda certeza também influencia no todo.

Pertencer diz respeito as peculiaridades, que por serem comuns aos membros desperta percepções, sentimentos e mobiliza elementos que conjugam diversas possibilidades e trazem o movimento da vida de forma a completar as lacunas do caminho. Pertencer relaciona-se a ser parte de domínios determinados e ter claro isso é tão importante, pois contribui para que os resultados sejam os melhores possíveis para o todo.

Quando excluímos ou nos sentimos excluídos, algo na engrenagem emperra, não funciona na sua melhor performance. Problemas surgem, mal entendidos acontecem com muitaaaaaa frequência, a comunicação é falha ou de fato não se estabelece e certamente bloqueios importantes acontecem.

Quando incluímos, aceitamos que algo ou alguém pertence fica mais fácil continuar, a exclusão limita, dificulta e por vezes até inviabiliza novas conquistas. Assim, entendo que mesmo não sendo tão fácil ou tão simples incluirmos, aceitarmos determinadas situações, conjecturas ou pessoas é necessário e importante nos esforçarmos para esta direção, lembrando que somos parte do todo, que não existimos em separado, que dependemos do outro para praticamente tudo nesta vida, só estamos aqui porque alguém nos incluiu, nos aceitou e portanto, temos responsabilidades pessoais e sociais, vez que somos integrantes e pertencemos a este universo que nos acolhe e nos recebe.

SOBRE EXPERIÊNCIAS

Maria Angela Boccara de Paula

24/05/2020

No caminho muitas e muitas coisas acontecem, algumas fazem sentido para nós, outras nem nos importamos e não damos qualquer atenção. Acontece tanto todos os dias não é mesmo? Mas o que de fato mexe com você?

É na vivência do acontecido que podemos ter a EXPERIÊNCIA, entendida aqui como aquilo que de verdade nos toca, nos mobiliza, nos causa inquietação, prazer, desejo, alegria, tristeza.

Saber um tanto de coisas, ser altamente informado e/ou intelectualizado não garante o sabor da EXPERIÊNCIA. Ter poder, títulos, destaque também não.

A EXPERIÊNCIA é algo que tem o poder de te afetar de algum modo, deixando marcas, afetos, vestígios de sua passagem pela sua vida.

Para viver a EXPERIÊNCIA é preciso estar receptivo, aberto, se permitir estar exposto, em que a entrega se faz fundamental. A maneira como nos expomos também nos possibilita vivenciar cada experiência sob diferentes formas, sabendo que muitas e muitas vezes temos vulnerabilidades e riscos ao nos permitirmos provar, experimentar e fazer a passagem, a travessia, pois quando vivemos a EXPERIÊNCIA, estamos permitindo que algo nos aconteça.

E isso é possível quando paramos para olhar, perceber os detalhes, as nuances, a escuta acurada e presente, a atenção, a delicadeza, com paciência e dando espaço para que seja possível, aceitando o que quer que ocorra.

Quando aceitamos nos submeter de fato é certo que ocorrerá transformação. A EXPERIÊNCIA é formadora, capaz de nos derrubar, nos estilhaçar, nos apaixonar, nos remodelar. Está atrelada a emoções, as memórias, pois a experiência não é simplesmente o que ocorre, mas o que nos ocorre. Ela é singular, cada pessoa vive seu impacto de maneira individualizada, e nos permite nos apropriarmos da nossa existência.

Cada EXPERIÊNCIA é única, não é possível generalizá-la, nunca se tem a certeza de seus resultados, é imprevisível, mesmo que tudo indique sua presibilidade, por isso ela é tão especial, e demanda nossa total atenção.

É preciso estar inteiramente presente para aproveitá-la, permitindo as transformações e os saberes que advém dela. Não temos certezas, somente a EXPERIÊNCIA, e é preciso se permitir e se entregar.

Que possamos viver cada EXPERIÊNCIA na sua plenitude, apesar dos perigos que possam existir.

Foto por Artem Beliaikin em Pexels.com

SOBRE RETROSPECTIVA

Maria Angela Boccara de Paula

22/05/2020

Muitos dizem que não devemos olhar para trás, que o que precisamos é somente olhar para a frente e seguir.

Eu realmente não concordo!!!! Considero o passado muito importante para ser simplesmente deixado de lado. Na verdade, acho que isso é impossível.

O que somos hoje é fruto do ontem e isso é inegável

Fazer retrospectivas ajuda a perceber melhor onde estamos, a entender processos, valorizar momentos e pessoas, perceber as dificuldades nossas e dos outros, vislumbrar novos caminhos.

 A bagagem pode ser mais leve ou mais pesada, mas é nossa, compõe o caminho percorrido até então e, não há como deixa-la num canto qualquer. Suas influências estão presentes no hoje e estarão no amanhã, de fato acredito nisso.

 Assim, respeitar o vivido é parte muito importante do caminho, acolher as escolhas e não julgar se faz necessário. Simplesmente olhar para trás, identificar a trajetória, aceitar os fatos e aí sim, seguir olhando para a frente, acreditando que é possível viver tudo que se desejar, sem menosprezar sua história.

Poder olhar para trás é um privilégio, conhecer as raízes, as origens, o caminho é tão forte, que nos faz capaz de captar o contexto atual e agir de forma a contribuir para que novos percursos sejam trilhados, de outras formas, não necessariamente melhores ou mais simples e fáceis, mas apenas de outra (s) forma (s).

  Acredito na importância das memórias, dos registros,  nos ajudam a compreender e é tão bom quando se entende o hoje, com base no ontem. Fazer retrospectivas nos dá a dimensão do trajeto, das dores e dos doces, das cores e dos nublados, dos brilhos e das noites escuras, mostra que nem tudo são flores sem espinhos, mas que mesmo assim, a vida se faz e se mantem em movimento, mesmo quando você se nega a olhar.

  Penso que olhar para trás sem apego é uma grande oportunidade que podemos nos dar de simplesmente  vislumbrar  tudo que te torna a pessoa que você é hoje. Nem sempre é fácil, simples e isento de dor, isso não é mesmo!!!! Mas é tão fantástico quando você se permite olhar sem julgar e, finalmente entende que tudo o que foi vivido faz parte, que tudo tem sentido e significado e principalmente é a sua contribuição para o mundo.

Quantas coisas podemos fazer a partir de agora? Com consciência daquilo que somos hoje, do potencial que temos e do tanto que ainda há para ser apreendido e aprendido.

Como é bom olhar para trás sem perder o foco no caminho e nas inúmeras possibilidades que se fazem presentes hoje. Viver o hoje em sua plenitude para que nossas retrospectivas sejam leves e plenas, para que possamos nos sentir bem ao ver o retrato das nossas vidas e que aqueles que por elas passaram tenham de alguma forma se beneficiado e possam compreender o seu hoje.

Sigamos !!!!!

SOBRE EXPECTATIVAS

Maria Angela Boccara de Paula

08/04/2020

Será que seremos capazes de viver sem expectativas?

 Tanto se fala delas na contemporaneidade, as colocamos num papel de grande vilã nas nossas vidas, mas será que é realmente tão complicado e complexo ter expectativas? Será que realmente nos causam tão mal? Será que o tombo pode ser grande demais? Ou a expectativa é também uma grande mobilizadora de potencialidades e possibilidades?

 Penso que a tal da expectativa “ruim” que muitos enfatizam diz respeito as expectativas que temos em relação ao outro, ao comportamento do outro, aquilo que desejamos que o outro faça, pense, sinta e isso é realmente complicado não acha? Como não temos domínio sobre pensamentos, realidades e sentimentos alheios como podemos esperar que uma pessoa corresponda plenamente as nossas expectativas? Pode-se ter sinais, indícios, mas certezas, isso é impossível. Então porque insistimos nesse modo de funcionamento em relação as outras pessoas?

 Não seria muito mais prático e eficiente desenvolvermos expectativas em relação a nós mesmos? Acho que isso pode ser mais interessante, pois acredito que assim podemos nos empenhar em desenvolvermos as capacidades, habilidades necessárias para atingir o esperado de nós mesmos.

Claro que isso também pode ser perigoso se não estivermos de fato preparados para tal, e aí não corresponder a expectativa pessoal pode até gerar autoagressão, o que é muito forte e totalmente improdutivo, porém se utilizarmos a auto expectativa como mola propulsora para a ação, tendo clareza que existe a possibilidade desta ação, mesmo que não exatamente como foi por você elaborado, acredito que podemos então considera-la como a “boa “expectativa.

Se a expectativa gerada proporcionar empenho, motivação, determinação na meta a ser alcançada, que coisa interessante de se alimentar não acha?

 Mas como fazer isso sem sofrimento ou medo de não conseguir? Penso que basta se permitir tentar e se o resultado não for positivo, tudo bem. Pare um pouco, examine os fatos e emoções envolvidos e identifique o ponto chave que não foi acionado ou não intencionalmente desligado e encontre forças no seu interior para retomar o caminho, agora com mais atenção aos aspectos identificados como possíveis complicadores do processo e tente novamente, depositando as “boas” expectativas em você, mas só em você. E assim mantenha-se expectante, acreditando que é possível conseguir/ atingir o que se almeja.

Quando você atinge o objetivo da auto expectativa, o prazer que se vivencia é fabuloso e assim você vai poder bater palmas para você, com muito entusiasmo!!!!!

É muitooooo bom acredite!!!!! Eu recomendo essa experiência!!!!

Foto por Andrea Piacquadio em Pexels.com

SOBRE ATENÇÃO

Maria Angela Boccara de Paula

12/04/2020

Atenção, termo tão usual no nosso vocabulário, mas tão cheio de significados e interpretações.  Quando pensamos em atenção imediatamente algumas situações nos vem à mente, como prestar atenção em uma aula por exemplo ou algo relacionado a concessão de gentilezas, de seu tempo, da boa vontade para estar ao lado, para ouvir e até para advertir.

Atenção demanda concentração, estar presente e, extremamente conectado com alguma situação, momento, pessoa.

E como é maravilhoso estar atento a cada momento da existência, aprender a desenvolver a auto atenção é uma maneira muito interessante de perceber emoções, sentimentos e necessidades que se manifestam de diferentes maneiras. Parar para realmente olhar o que está acontecendo é tão importante para que você consiga identificar a origem dos efeitos e as verdadeiras causas. Ao identifica-las é possível, se você realmente desejar, mudar crenças destrutivas, limitantes que te fazem parar ou girar ao redor sem produzir novos resultados.

Ao aprender a desenvolver a auto atenção, gradativamente se conquista o auto amor, que é simplesmente fantástico e poderoso. Confiar em você e nas suas potencialidades te mobiliza para a ação, assim considero a atenção, elemento básico para que seja possível manter ou mudar o que quer que você deseje.

Desenvolver a atenção não é algo tão fácil, apesar de não ser complexo. Nos dias atuais, temos tantas demandas, tantas atribuições, tantas crenças advindas da cultura em que vivemos que por muito tempo não nos observamos e ligamos o piloto automático de forma a levar a vida da forma como o grupo em que vivemos quer. Por exemplo, a mulher por mais liberada que seja, ainda se cobra de coisas que muitas vezes não estão em seu íntimo, não são de sua real vontade, mas ……é assim que desejam que ela se comporte e continua a reproduzir papéis sem de fato prestar atenção ao significado daquilo para si mesma.  Colocações do tipo “é assim mesmo” é uma maneira de acreditar em algo que nem sempre é verdade, muitas vezes são apenas opiniões alheias que passamos a considerar verdadeiras para nós, sem prestar nenhuma atenção.

Desenvolver a habilidade de prestar atenção pode ser uma maneira muito, mas muito interessante de descobrir o que de fato existe de verdadeiro dentro de você, possibilitando mudanças internas e externas, de forma a contribuir para uma vida mais saudável por exemplo, mais leve, menos exigente com você e com os outros, enfim de se auto conhecer, se respeitar e principalmente se valorizar.

 Apesar de simples, não é nada fácil, as vezes podemos passar a vida toda sem desenvolver a auto atenção, mas se essa ficha cair em algum momento da sua estrada, não deixe a oportunidade passar. Sei que muitas vezes vai desanimar, como eu também já desanimei diversas vezes, mas a vida te trará situações que te exigirão esse obséquio e você sozinho ou, muitas vezes com a ajuda de outras pessoas, como amigos, mestres e terapias terá a oportunidade de decidir usar a atenção a seu favor e devagarinho, mas com persistência vai conseguir entender que não dá mais para fazer como sempre fez, que é hora de mudar, de acreditar, de fazer diferente e seguir.

Existem muitas formas de desenvolver a tal da atenção, na atualidade o tema da moda é “mindfulness”, ou atenção plena, concentração plena, eu a estou denominando aqui de auto atenção, pois acredito que se desenvolvermos a capacidade de dedicarmos cuidado, zelo, termos boa vontade com nós mesmos, seremos capazes de minimizar conflitos internos e, assim nos relacionarmos melhor com o mundo a nossa volta.

SOBRE SER ENFERMEIRA

Foto por Karolina Grabowska em Pexels.com

Maria Angela Boccara de Paula

12/05/2020

Neste dia 12 de maio em que se celebra o dia mundial da enfermagem e o ano internacional da profissão, me sento aqui para escrever sobre ser enfermeira.

 Que especial esta profissão tão cheia de possibilidades e dificuldades. Alegrias e incertezas. Múltiplos caminhos que se abrem ao longo da trajetória profissional.

É preciso estar atento para aproveitar as oportunidades que a profissão  oferece. E são tantas!!!!!

Existem tantos campos de trabalho possíveis para o enfermeiro que muitos nem imaginam !!!! O enfermeiro não atua só em hospitais e Unidades de Terapia Intensiva, só na assistência direta. O enfermeiro é um profissional que pode atuar como consultor, auditor, no gerenciamento e planejamento de Unidades de saúde e educação, ser professor, pesquisador, atuar na indústria relacionada à saúde, enfim são muitas as oportunidades que ser enfermeira (o) nos oferece.

De maneira geral somos vistos como executores de cuidados, mas tão pouco se fala sobre tantas outras coisas que somos capazes de realizar. E assim, nossa imagem se mantem vinculada ao feminino e ao maternal, já que ainda somos uma profissão predominantemente feminina. Porém, essa não é a realidade de fato, a enfermagem vem ao longo anos crescendo e se desenvolvendo enquanto ciência, que tem no cuidado seu foco principal sim, mas um cuidado balizado pela ciência e em evidências científicas.

No Brasil existem algumas escolas de enfermagem de excelência, bem como professores e pesquisadores renomados, mas infelizmente também muitos cursos que oferecem formação mediana e até bastante ruim, que não instrumentalizam de fato os profissionais e assim, quando este ingressam no mercado de trabalho, muitos encontram dificuldades para se desenvolver e por vezes assumem posturas profissionais de manutenção do sistema existente, sem aprimorar ou lutar por melhores condições de trabalho e de remuneração, por exemplo.

  A formação política do enfermeiro é praticamente inexistente, poucos recebem ou buscam conhecimentos que possam alicerça-los para o enfrentamento de situações complexas nos ambientes de trabalho, poucos são aqueles que se envolvem na elaboração das políticas públicas da saúde e menos ainda são aqueles que conhecem de fato o sistema de saúde e suas nuances. Desta forma, nos tornamos alheios a muitas questões e geralmente desconhecemos os caminhos necessários a percorrer para garantir a qualidade do cuidado prestado.

Muitos irão dizer que não existem condições de trabalho adequadas, que somos mal remunerados e, portanto, fazemos o que dá. Será que essa não é uma posição cômoda demais? Acredito que é preciso refletir sobre essas questões e buscar formas de batalharmos juntos por tudo isso que realmente não temos.

Nesses tempos de pandemia, estamos sendo homenageados com aplausos e agradecimentos. Que bom!!!!  Realmente estamos trabalhando duramente, correndo alto risco de adoecermos e contaminarmos nossos familiares, muitos profissionais brasileiros morreram. E isso realmente é cruel, e me entristece profundamente.

Sei que não é tão simples e fácil essa luta, mas é preciso que tenhamos consciência da importância de nos unirmos para conquistar muito mais que aplausos e agradecimentos, é preciso reconhecimento social, dos nossos pares, dos políticos, de nós mesmos, mais e mais para que tenhamos salário, jornada e condições de trabalho dignos. Para que não seja preciso trabalhar em dois ou mais empregos para conseguirmos nos manter, para que possamos nos cuidar e ter tempo suficiente para  dormir o necessário e revigorar o corpo verdadeiramente.

Ser enfermeira(o) é realmente um grande desafio que se conjuga com grandes prazeres. O sorriso de uma mãe, o agradecimento de um idoso, um aperto de mão da sua equipe, a alta hospitalar de alguém muito grave, o sucesso do aluno, a publicação da pesquisa, o evento de sucesso, a inserção de um produto de qualidade no mercado, uma auditoria justa e bem feita, enfim são tantos os momentos recompensadores que a profissão nos oferece e eu tenho tanto orgulho de ser enfermeira, posso fazer tanto !!!! Que dádiva !!!! E que grande oportunidade!!!

Por tudo isso parabenizo cada profissional da equipe de enfermagem neste dia e reforço a importância da união para juntos lutarmos por maiores e melhores espaços para a profissão. Precisamos ter claro que talvez não iremos usufruir das conquistas, mas é preciso ser visionária com Florence Nightingale, precursora da Enfermagem Moderna, que fez o melhor que podia e sabia, deixando um legado de luz, repleto de reais oportunidades para as próximas gerações de enfermeiras (os) que virão.

Parabéns enfermagem !!!! Nosso trabalho é grandioso e fundamental para a humanidade em todas as fases do ciclo vital.

Orgulho de ser enfermeira, de ser enfermagem!!!!!

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